23/06/09
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Roberto Requião lançaram nesta segunda-feira (22), em Londrina, o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para a próxima safra. Lula disse que está liberando R$ 107,5 bilhões para produção de 2009/2010, ou 37% a mais que o valor do ano passado e destacou: “Trata-se do maior programa de financiamento da agricultura já feito no País”.
O evento contou com a participação de cerca de 2.500 agricultores que lotaram o pavilhão nas dependências da Sociedade Rural do Paraná. Várias autoridades estavam presentes, entre elas a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, do Planejamento, Paulo Bernardo, do vice-governador Orlando Pessuti, do prefeito de Londrina, Barbosa Neto, do secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini, do anfitrião e presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireff, deputados federais, senador Osmar Dias e lideranças da agropecuária e das cooperativas do Paraná.
O presidente confirmou que o governo federal decidiu investir com mais força na agropecuária como medida para o país sair mais rápido da crise financeira mundial. Disse também que o setor está gerando mais empregos. Revelou informações do Ministério do Trabalho de que o país gerou 131 mil empregos em maio e que, desse total, 53 mil novos postos de trabalho foram gerados pelo setor agrícola.
Para isso, não vão faltar recursos, disse o presidente. Conforme o anúncio, a agricultura empresarial vai contar com R$ 92,5 bilhões e a agricultura familiar com R$ 15 bilhões nesta safra que se inicia. Segundo Lula, o Brasil precisa das duas agriculturas e deu um recado para os agricultores familiares de todo o País, principalmente da região Norte e Norte. “Gastem o dinheiro para plantar as lavouras porque se precisar de mais dinheiro, de R$ 20 bilhões, R$ 30 bilhões ou até R$ 50 bilhões”, não vai faltar dinheiro, disse.
Por enquanto, disse Lula, o governo disponibilizou R$ 15 bilhões, porque os maiores captadores são os agricultores da região Sul do País, citando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O presidente revelou que a agricultura é um setor que responde rápido aos estímulos governamentais para a economia. Citou o programa de Trator Popular, lançado no programa Mais Alimentos no ano passado e disse que, desde então, já foram vendidos 11 mil tratores, cerca de 75% da produção de tratores no país.
A ministra Dilma Roussef lembrou que o País agora tem projeto firme para o setor e anunciou a agilização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ela, o programa foi acusado de ficar só no papel no passado porque não havia políticas e projetos para o País. “Agora não o País tem mais que projetos e parte deles serão delegados ao próximo governo. “Podem estar certos que o país terá rodovias, pontes, ferrovias e portos”, anunciou.
A ministra Dilma anunciou ainda a exploração de reservas de potássio na Amazônia para produção de fertilizantes para a agricultura nacional não ficar dependente de insumos importados. Ela disse que o Brasil possui uma das maiores reservas de potássio do mundo, comparando essa riqueza com o que será gerado pelo Pré-sal.
QUESTÃO AMBIENTAL – O presidente Lula afirmou que não pretende encarar o debate que está se acirrando sobre a questão ambiental com ideologias. Ele se comparou à uma mãe que precisa atender a dois filhos, sinalizando que pretende encontrar um ponto de equilíbrio.
O presidente lembrou, no entanto, que o País tem que ter mais responsabilidade nessa questão e que se os produtores quiserem continuar vendendo a produção para outros países terão que seguir as regras da preservação ambiental, uma exigência em todo o mundo.
Lula disse que o país está em outra esfera, é chamado a participar de reuniões e comitês de países ricos e em desenvolvimento e que isso requer mais responsabilidade, do governo, produtores, empresários e da população. O presidente se referiu à necessidade de se estabelecer uma regulação que dê garantias e segurança para o produtor plantar. O ministro Stephanes disse em entrevista coletiva ao final do evento, que a orientação técnica e cientifica é que deverá orientar a decisão.
Por outro lado, o presidente lembrou também que se o país precisa conservar e preservar o meio ambiente, a sociedade como um todo necessita colaborar e pagar por isso. Destacou um programa de televisão que fez uma reportagem sobre a prefeitura de Nova York e que ela está pagando os produtores rurais da região para conservar a água que serve de abastecimento para a população da cidade. “A prefeitura de Nova York achou que é mais barato pagar para os produtores preservarem do que gastar com a limpeza e o tratamento da água”, disse.
Lula antecipou que o ministério da Agricultura está trabalhando na elaboração de políticas de reflorestamento no País. “Da mesma forma que queremos preservar, temos de pagar para as pessoas preservarem a terra”, afirmou. E completou: “Em vez de só proibir, temos que olhar para a frente e ver que é inexorável o Brasil ser o celeiro do mundo porque tem todas as condições para isso e porque as populações da China, Índia, África estão cada vez consumindo mais alimentos.
O presidente criticou os adversários do Brasil no exterior, que adotam políticas ideológicas para apontar falhas no tratamento da questão ambiental. E mandou o recado: “Não metam o dedo sujo de combustível fóssil sujo no nosso combustível limpo”, ao se referir às dificuldades e barreiras impostas ao País para exportação do álcool.