30/07/08
O Paraná e o Brasil estão começando a ganhar um importante e inadiável reforço às disponibilidades de energia elétrica para sustentar seu crescimento. Ao lado de dirigentes da Copel e da Eletrosul – que formam o Consórcio Cruzeiro do Sul, responsável pelo empreendimento – o governador Roberto Requião assinou nesta terça-feira (29), durante reunião da Escola de Governo, em Curitiba, a ordem de serviço determinando o início das obras de construção da Usina Hidrelétrica Mauá, no Rio Tibagi, nos municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira, região central do Paraná.
A usina, que terá 361 megawatts de potência e capacidade para atender ao consumo de uma população de 1 milhão de habitantes, começa a produzir eletricidade em 2011 e é um dos principais empreendimentos em curso no Sul do Brasil, devendo absorver cerca de R$ 1 bilhão em investimentos nos próximos anos. Desse total, R$ 120 milhões servirão para custear a implementação dos 34 programas previstos no Projeto Básico Ambiental da obra, destinados a atenuar e compensar os impactos negativos e a potencializar e otimizar os impactos positivos decorrentes da construção de Mauá.
Usina pública
Ao assinar o documento autorizando a mobilização dos empreiteiros, Requião destacou que Mauá “será uma usina pública”, pois vai ser construída em parceria por duas empresas estatais, Copel e Eletrosul. Nessa condição, sustenta o governador que não só os compromissos sociais mas também os ambientais terão prioridade, resultando no tratamento justo e digno à população atingida. “Lembro que determinamos o rebaixamento na altura da barragem projetada para a Usina Mauá até um limite que não inviabilizasse o aproveitamento, para que a área alagada pelo reservatório acabasse sendo a menor possível”, observou Requião. “Assim, tomando os devidos cuidados, é perfeitamente possível continuar a explorar o potencial hidrelétrico paranaense, que ainda não está esgotado”.
Dentro dessa visão, o governador anunciou para breve o lançamento de uma chamada pública para identificar e selecionar parceiros interessados em se associar à Copel na construção de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) em território paranaense. “Vamos licitar os futuros aproveitamentos que terão o controle acionário da Copel, conforme dispõe a legislação, que diz que novas hidrelétricas no Paraná serão sempre majoritariamente propriedade do povo paranaense”.
Conforme a regulamentação do setor elétrico, enquadram-se na condição de PCHs os aproveitamentos hidrelétricos com potência instalada total inferior a 30 megawatts.
Imprescindível
O presidente da Copel, Rubens Ghilardi, enfatizou que a construção da Usina Mauá é tida como “imprescindível” pelo setor elétrico brasileiro, tendo em vista a necessidade de ter eletricidade disponível para sustentar a continuidade do crescimento social e econômico do país. “Esta obra que estamos começando será fundamental para todos em 2011, pois se faltar energia, todos padecerão”, disse Ghilardi. “Os mais recentes leilões de energia da Aneel só comercializaram eletricidade obtida de fontes térmicas, a óleo ou a carvão, cujos preços são de 5 a 9 vezes mais altos e ainda geram impactos ambientais muito maiores que os de uma usina hidráulica”, observou.
Em razão dessa necessidade inadiável, a Usina Mauá está incluída no Plano de Aceleração do Crescimento do Governo Federal e já tem assegurados recursos de financiamento do BNDES que correspondem a 70% do valor total dos investimentos.
Oportunidades
Rubens Ghilardi também fez referência ao fato de a construção da hidrelétrica significar a aplicação de vultosos investimentos numa das regiões socialmente mais deprimidas do Paraná, movimentando sua economia e abrindo um grande leque de oportunidades para alavancar a melhoria da qualidade de vida da população. “Além dos investimentos estimados em mais de R$ 1 bilhão nas obras, a Usina Mauá vai gerar 1.530 empregos diretos e 720 indiretos durante a construção e, durante esse tempo, recolher R$ 5 milhões em impostos aos municípios”, alinhou. “Depois de pronta, Mauá vai continuar gerando receitas estimadas em R$ 3,5 milhões ao ano em ICMS e recolhendo R$ 6 milhões ao ano a título de compensação financeira”.
Já o presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto, destacou a satisfação da empresa em ver iniciadas as obras da hidrelétrica e saudou como “estratégica” a parceria estabelecida com a Copel nesse empreendimento. “A Eletrosul se sente integralmente parceira da Copel e do Estado do Paraná na construção da Usina Mauá e, certamente, venceremos juntos outros leilões para novas obras no futuro”.
A usina
A hidrelétrica Mauá terá cinco unidades geradoras — três na casa de força principal e duas na pequena central hidrelétrica (PCH) anexa à barragem — que, juntas, vão somar 361 MW de potência instalada. O projeto inclui uma subestação operando em 230 mil volts e duas linhas de transmissão, que irão conectar a usina às subestações Figueira e Jaguariaíva, ambas da Copel, integrando-a ao sistema elétrico nacional.
A barragem será erguida na região do Salto Mauá, no trecho médio do curso do Tibagi, 600 metros rio acima da já existente Usina Presidente Vargas, pertencente à indústria Klabin, e terá dois segmentos principais: um maciço de concreto compactado a rolo, com 496 metros de comprimento e 85 de altura máxima que inclui o vertedouro, e outro de enrocamento com núcleo de argila, com 249 metros de comprimento e 45 de altura máxima. Essas estruturas vão permitir a formação de um lago com quase 84 km² de superfície. Do reservatório, a água será levada até a casa de força principal por um circuito de adução composto por tomada d’água, túnel adutor escavado em rocha (com 1.900 metros de comprimento), câmara de carga e túneis forçados no trecho final.
De início, o consórcio construtor encarregado das obras pelo Consórcio Cruzeiro do Sul estará empenhado em organizar toda a infra-estrutura do canteiro de obras, situado na margem direita do Rio Tibagi, em Telêmaco Borba. Dentro de aproximadamente três meses, deverá ser dado início à primeira grande etapa da obra propriamente dita: a escavação do túnel por onde o Tibagi será temporariamente desviado enquanto são erguidos no seu leito natural os dois maciços da barragem.