20/05/08

Pães e massas poderão ter em breve adição de 10% mandioca à farinha

O País vai voltar a discutir a adição de 10% de fécula de mandioca à farinha de trigo na fabricação de pães, massas e biscoitos. O objetivo é reduzir a dependência das importações de trigo e baratear o preço do pãozinho e das massas para o consumidor final. O tema será debatido em reunião do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que convocou os representantes das câmaras setoriais nacionais da mandioca e das culturas de inverno, entre as quais está incluído o trigo.

A reunião vai acontecer no dia 28 de maio, em Brasília. Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, o assunto interessa muito ao Paraná, pois é o maior produtor de trigo e de fécula de mandioca. O Estado é responsável por mais de 50% da produção nacional de trigo e de 65% da produção nacional de fécula de mandioca.

“Estaremos presentes na reunião porque ao Paraná interessa muito a questão da qualidade dos produtos e os impactos sociais e econômicos que podem ocorrer a partir de uma decisão como esta”, afirma o secretário. A projeção feita pela Câmara Setorial Nacional da Mandioca é de uma economia de mais de R$ 1,2 bilhão, com a redução da importação de 800 mil toneladas de farinha de trigo por ano.

O cálculo foi feito considerando a adição de 10% de fécula à farinha de trigo, cujo consumo anual no País está oscilando entre 7 e 8 milhões de toneladas. Essa economia ficará na zona de produção da mandioca e das indústrias de fécula, beneficiando muito o Paraná e os agricultores familiares que produzem a mandioca, diz o presidente da Câmara Setorial Nacional da Mandioca e Derivados, João Eduardo Pasquini.

Para o consumidor final, essa adição poderá resultar na redução de 10% a 15% no custo final do pãozinho, acredita Pasquini. A adição da fécula de mandioca à farinha de trigo na panificação tramita no Congresso Nacional há sete anos. No ano passado foi aprovado um projeto de lei de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que obriga os moinhos a misturar a farinha de trigo com a fécula de mandioca. O projeto foi ao Senado e agora depende de parecer final do senador Flávio Arns (PT-PR) para ir para votação no plenário.

De acordo com o presidente da Câmara Nacional Setorial do Trigo, Rui Polidoro, está havendo um impasse porque os moinhos não concordam com a inclusão no projeto de lei da palavra “obrigatoriedade”, citação defendida pelos representantes da Câmara Setorial Nacional da Mandioca. “Queremos que as indústrias tenham a opção ou não de adicionar a fécula, sem a obrigatoriedade”, disse Polidoro. Segundo ele, há regiões do País em que a disponibilidade de fécula de mandioca é escassa e as indústrias do trigo não têm acesso a essa opção.